2019-10-18

JVP: O menino de ouro!


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JVP
Pequeno e franzino, de cabeleira loira e penso no nariz. Em campo exibia-se elegante e com à-vontade. Pensava o jogo como poucos e estava sempre um passo à frente dos demais. Com a bola nos pés mostrava pormenores de génio. Eis João Vieira Pinto.

Cresceu em Campanhã, no Porto. As ruas do Bairro do Falcão testemunharam os seus primeiros pontapés na bola. O seu talento natural sobressaiu e começou a jogar no clube do bairro. Portista, sonhava jogar de dragão ao peito. Tal não aconteceu e acabou por se mudar para o Águias da Areosa. Um prenúncio para o que estava por vir. Deu nas vistas e rumou ao Boavista. Abria-se uma janela de oportunidade para subir na vida.

Fez a formação no Bessa e estreou-se na equipa principal dos axadrezados com apenas 17 anos pela mão de Rui Águas. Não tardou muito para que o jovem se afirmasse ao ponto de motivar a cobiça do Atlético de Madrid, bem referenciado por Paulo Futre. Gil y Gil contratou-o mas a aventura de João Pinto em Madrid não correu bem. Acabou jogar apenas no Atlético Madrileño, a equipa B dos colchoneros. Ainda assim, capitaneou a Seleção Nacional de sub-20 que em 1991 conquistou o título mundial da categoria. Aquela que viria a ser apelidada de "Geração de Ouro" fazia história sob a orientação de Carlos Queiroz. João Vieira Pinto que, dois anos antes, fora o mais jovem do elenco luso campeão em Riade, sagrava-se bicampeão mundial.

O Boavista, atento à situação do seu pupilo na capital espanhola, promoveu o seu regresso a casa. Na companhia dos seus familiares e amigos, inserido no seu ambiente, João Pinto reencontrou o equilíbrio emocional. Foi peça-chave para Manuel José numa temporada em que as panteras terminaram o campeonato no pódio e venceram a Taça de Portugal. As exibições de João Vieira Pinto motivaram uma disputa entre Benfica e Sporting pela sua contratação tendo os encarnados ganho a corrida.

A primeira época de João Pinto no Benfica foi atribulada em virtude de uma lesão torácica sofrida ao serviço da Seleção Nacional que fez perigar a sua carreira. As dúvidas foram dissipadas e o portuense conseguiu recuperar, tendo terminado a temporada com um novo triunfo na Taça de Portugal.

O verão de 1993, conhecido como o "Verão Quente" foi marcado por fortes investidas do Sporting por João Vieira Pinto. Sousa Cintra estava decidido a juntá-lo a Paulo Sousa e a Pacheco que tinham acabado de rumar a Alvalade oriundos do velho rival. Porém, Manuel Damásio, então presidente do Benfica, conseguiu manter João Pinto no plantel das águias. Na temporada de 1993/1994 João Pinto exibiu-se a grande nível e foi figura de cartaz na caminhada triunfal benfiquista. Um dos jogos decisivos para a conquista do campeonato foi precisamente o derby de Alvalade na jornada 30. João Vieira Pinto rubricou uma exibição de antologia que lhe valeu nota 10 no diário desportivo A Bola. Assinou um hat-trick num jogo mítico que terminou com vitória encarnada por 3-6 e lançou as águias para o título. Crescia a lenda do "Menino d'Ouro", o ídolo da Luz.

No entanto, os anos que se seguiram foram de hegemonia para o FC Porto. Ficaram célebres os duelos entre João Vieira Pinto e Paulinho Santos, médio portista. Deixaram marca… literalmente. Os dois atletas, obrigados por António Oliveira a partilharem quarto na Seleção Nacional, acabaram por ficar amigos.

A ausência de títulos fez crescer a instabilidade no Benfica, a todos os níveis. E chegou o dia em que, para surpresa geral, João Vieira Pinto, capitão de equipa e ídolo das bancadas, de quem se chegou a falar que tinha um contrato vitalício, acabou dispensado. Foi com o estatuto de desempregado que brilhou por Portugal no Euro 2000, o apogeu da "Geração de Ouro". Após o certame assinou contrato com o Sporting.

Envergando a camisola verde e branca, João Pinto continuou a encantar os adeptos do bom futebol. O "Grande Artista" foi o "pai" de Mário Jardel, uma dupla que fez furor em Portugal no início do século XXI e que levou os leões ao seu último grande título até hoje. Esse ano de 2002 terminou sem honra nem glória para a Seleção Nacional no Mundial da Coreia do Sul do Japão e, particularmente, para João Vieira Pinto que acabou expulso e agrediu a soco o árbitro Ángel Fernández no último jogo da fase de grupos. Nunca mais envergou as quinas ao peito.

Em 2004 voltou ao "seu" Boavista onde esteve mais duas épocas. Acabou a carreira mais a norte, no Sporting de Braga, emprestando o prestígio conseguido ao longo de toda uma vida a um clube que já ambicionava subir de patamar no seio do futebol nacional.

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